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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Índios querem resposta Governo Federal

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Índios protestam contra o Governo Federal e ocupam a UFPA em Altamira



MAIS ÍNDIOS CHEGAM PARA A MANIFESTAÇÃO

Índios Asurini da aldeia Koatinemo chegam para engrossar o protesto contra o Governo Federal.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

INDÍGENAS NÃO ACEITAM IMPOSIÇÃO DO GOVERNO

Indígenas fazem um dia de manifestação em Altamira contra a decisão do governo em extinguir a FUNAI em Altamira.

Índios ocupam o prédio da Funai desde a ultima quinta-feira. Hoje por volta das 07:30 indígenas de nove etnias fecharam a rua coronel Jose Porfirio em frente da UFPA, eles protestam contra a extinção da administração da fundação nacional do índio obedecendo a um decreto do presidente que reestrutura o órgão em todo o Brasil.

Armados e pintados para guerra os índios dançaram em meio a via publica e impediram a passagem de veículos pelo local. Em seguida um grupo foi até o coordenador da UFPA comunicar que os indígenas estavam ocupando todo o campus .

Policia militar esteve observando a manifestação pacífica. Já os alunos da universidade se mostravam preocupados com a situação das aulas, mas apoiavam o movimento indígena.

Com a extinção da funai de Altamira, mais de quatro mil índios vão ficar sem o apoio do órgão aqui na região, prejudicando as nove etnias existentes. Eles afirmam que não vão deixar o local enquanto não houver negociação com o governo federal e aguardam a chegada de outros indígenas para continuar a manifestação.

Colaboração: Patrícia Costa, Roney Santana, Benilza Miranda

quinta-feira, 29 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

ENCONTRO DOS POVOS INDÍGENAS E MOVIMENTOS SOCIAIS DA BACIA DO RIO XINGU



Iniciou ontem à noite o Encontro "Xingu Vivo Para Sempre". Este encontro reúne 24 povos indígenas de etnias diferentes e os Movimentos Sociais da Bacia do Rio Xingu.

Veja algumas fotos do Encontro.

Nas fotos o Bispo Dom Erwin na abertura do Encontro e a Índia Tuíra com seu facão. A Índia já é considerada um ícone na defesa do Rio Xingu.

Algumas fotos do Encontro:






Povo Kaiapó na plenária.



Índia Tuíra

terça-feira, 6 de maio de 2008

quinta-feira, 1 de maio de 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Sem argumento, a Eletronorte não compareceu


Movimentos sociais, estudantes, acadêmicos, igreja, se reuniram ontem para um mini- fórum, o tema ligado a Belo Monte, deveria ser debatido entre as instituições responsáveis pelo projeto de barragem e a população local, mas, apesar do convite ter sido estendido, quem deveria prestar esclarecimentos sobre o assunto, como a Eletronorte, não se fez presente.

Veja no Vídeo acima.
Reportagem de Iolanda Lopes

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Em preparação ao grande manifesto


A exemplo do que aconteceu em 2007, quando os povos indígenas participaram de um grande encontro e manifestaram sua posição em relação ao complexo hidrelétrico de Belo Monte, este ano um outro encontro deve mobilizar mais de 500 índios. O Movimento de Mulheres e de grupos de jovens da região de Altamira também se unirão aos índios e prometem um número acentuado de participantes. O evento foi discutido ontem em uma reunião que teve a participação do presidente nacional do cimi, Dom Erwin.

Veja acima, o vídeo com a reportagem de Benilza Miranda

Crescimento econômico e terrorismo midiático

Desde o começo do ano, tenho notado que a mídia tem evocado com insistência o tal “fantasma do apagão”. Especialistas são entrevistados diariamente, articulistas bombardeiam-nos com suas opiniões e passamos a conhecer em detalhes a famigerada “curva de aversão de risco” (gráfico que mostra a altura na qual os reservatórios das usinas hidrelétricas têm que estar em cada época do ano a fim de enfrentarmos sem sustos a estação seca) e a acompanhar sua evolução diária. Isto certamente servirá de forte munição contra a resistência dos ambientalistas às novas hidrelétricas nos rios amazônicos. Já posso até ouvir os argumentos: “estes ambientalistas são contra o desenvolvimento do país”; “são insensíveis à questão do emprego”; “precisamos de energia para o desenvolvimento e os atrasos nos licenciamentos ambientais são um entrave”. E por aí vai. Creio na intencionalidade da campanha da mídia, pois a tática, de resto, é velha conhecida. Cria-se uma ansiedade na população, que não quer perder seu conforto, polarizam-se as opiniões de forma simplista, tipo bem e mal ou “utópicos” versus “realistas”, não se informa corretamente (ou desinforma-se) e pronto. O resultado é que a dita opinião pública, no Brasil ainda muito longe de ser crítica e consciente, acaba indo na direção que o poder constituído quer. Ou seja, da construção de novas estradas e hidrelétricas, independentemente de suas conseqüências para o meio ambiente.

Na fase crucial da crise ambiental em que nos encontramos agora no mundo (esta sim, uma crise real, e não fabricada), acho isto extremamente lamentável. Com o planeta dando mais e mais sinais de seu esgotamento, e com cientistas e ambientalistas alertando para os riscos da manutenção do modelo econômico atual, a mídia poderia ajudar muito a enfrentarmos a crise que certamente irá agravar-se, propondo discussões sérias e procurando colaborar na conscientização da população.

Obviamente que sei que isto seria esperar demais. A grande mídia, aqui e alhures, encontra-se praticamente toda ela identificada com o pensamento econômico dominante. E este pensamento baseia-se em algumas premissas falsas, cujas conseqüências estão levando o planeta ao colapso, como por exemplo:

1 - O desenvolvimento de uma nação e a qualidade de vida dos povos dependem exclusiva ou majoritariamente de crescimento econômico.

Neste caso, o problema é tanto conceitual quanto lógico. Se definirmos desenvolvimento e qualidade de vida apenas em termos econômico-financeiros médios de uma população, não há como escapar. Porém, desenvolvimento é muito mais do que isto, e restringirmos o conceito àqueles indicadores, ainda mais médios, é muito simplista. Como lembrou José Goldenberg, em artigo publicado (milagrosamente) no Estado de São Paulo de 21/01, qualidade de vida não depende apenas de crescimento, mas principalmente de investimentos em saúde e educação. E se adotássemos outro modelo econômico, qualidade de vida dependeria quase nada do crescimento econômico. No quesito desenvolvimento, eu iria ainda mais fundo, pois prefiro conceituá-lo envolvendo aspectos de desenvolvimento intelectual e cultural, bem como de valores humanos, como cooperação, respeito e solidariedade. E mais:

2 - A economia mundial e a dos países necessitam de crescimento econômico contínuo e sustentado.

Já esta segunda premissa é falaciosa por dois motivos. O primeiro é que a necessidade de crescimento contínuo não é absoluta, mas relativa. Esta necessidade surge apenas dentro do modelo econômico atualmente adotado, mas não é um imperativo da economia, e muito menos do ser humano.

O segundo motivo é que ela encerra em si uma contradição lógica. Não existe absolutamente nada no universo que tenha crescimento eterno (exceto, talvez, o próprio universo). Até que os economistas criaram esta necessidade para a economia, a fim de justificar alguns desajustes atuais, como as desigualdades dentro e entre povos, por exemplo, e de gerar um mecanismo que a mantenha. Mas isto é matéria para outro artigo.

Ao defenderem sempre a necessidade de mais crescimento - e de mais geração de energia para sustentar este crescimento -, parece que os economistas, desde os prêmios Nobel até os repetidores de suas idéias por aqui, desacoplaram a economia do mundo natural, como se ela estivesse pairando acima dele e fosse independente da natureza. A qualquer um isto parecerá absurdo, mas não há outra forma de entender uma proposta, esta sim completamente absurda, de que precisamos de crescimento ilimitado. Parece que eles se esqueceram de algo muito simples e sem mistério: como o suprimento tanto de energia quanto de matéria prima é finito, simplesmente não há como manter um crescimento contínuo (claro que parte do crescimento pode dar-se por melhoras nas eficiências dos processos, mas isto também é limitado). É impossível. Simplesmente não há como empregar o adjetivo ‘contínuo’ para a palavra ‘crescimento’, muito menos junto com ‘sustentado’.

Voltando ao nosso problema local, tenho convicção de que, infelizmente, as hidrelétricas do rio Madeira sairão afinal do papel. Imagino que isto alivie a pressão por um tempo. Quando o famigerado crescimento econômico contínuo comer toda a produção energética extra, novas discussões serão iniciadas com os mesmos argumentos e novas hidrelétricas sairão do papel. Talvez, nesta fase, finalmente consigam aprovar as usinas no rio Xingu, depois no Tapajós, depois no Negro, depois ... Em cada caso, após a construção das usinas, haverá um período de relativa calmaria. Em seguida, nova crise, novo “fantasma do apagão”, novas discussões ... e assim sucessivamente. Até que todos os rios brasileiros, grandes, médios e pequenos, tenham sido transformados numa sucessão de lagos de hidrelétricas (como o Tietê, o Grande, o Paraná e alguns outros já foram). E então não haverá mais onde produzir energia desta fonte. Imagino, quando este dia chegar, com que cara ficarão os economistas e a mídia. Será que neste dia então finalmente eles irão perceber que crescimento econômico contínuo é absurdo?

Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, biólogo, é doutor em Comportamento Animal pela Universidade de Saint Andrews. E-mail: rogcunha@hotmail.com

O Texto, com a devida autorização do autor, foi retirado do site: http://www.correiocidadania.com.br